PROJETO SER Criança
(ESPAÇO SOCIAL, EDUCATIVO, RECREATIVO E CULTURAL – SER)
INTRODUÇÃO
Durante todo tempo de trabalho e convívio no meio futebolístico, nas categorias menores, muitas observações foram feitas, que não condizem com a realidade da aprendizagem infantil.
Muitas das chamadas “escolinhas de futebol” vêm ensinando as crianças a competirem, formando atletas do meio, precocemente, transformando-as em produto vulnerável, oferecendo a elas um futuro de incertezas e fazendo concretizar a frase: “quem não tem competência, (em se tratando de futebol infantil) não se estabelece”, além de, algumas, cobrarem mensalmente um valor, em reais, para efetivar sua participação.
A criança que não apresenta condições para se tornar competitiva, torna-se descartável, valorizando assim, aqueles que têm excelente coordenação motora e habilidades consideráveis a permanecerem num cenário de exclusão.
“A sistematização dos objetivos, conteúdos, processo de ensino e aprendizagem e avaliação têm como meta a inclusão da criança na cultura corporal de movimento, por meio da participação e reflexão concretas e efetivas. Busca-se reverter o quadro histórico da área de seleção entre indivíduos aptos e inaptos para práticas corporais, resultante da valorização exacerbada do desempenho e da eficiência.” (PCN)
É lógico que não faz das crianças integradas culpadas e, sim vítimas de pessoas que buscam status, usando das habilidades desses “pequenos” que gostam de praticar esse esporte.
Diante disso vem nossa indignação, porque trabalhamos com crianças a partir de três anos de idade, procurando conhecê-las pedagogicamente e ampliando seus conhecimentos, respeitando seus limites e suas habilidades, bem como seu conhecimento e estrutura ludomotor; a participação da criança que busca aprender, socializar e acima de tudo integrar-se em atividades sadias e que as fazem compreender e sentir suas necessidades esportivas e cognitivas para ampliar seu mundo, seu espaço e suas habilidades.
A criança deve participar de todas as atividades, esportivas (futebol) ou não, e descobrir com sua participação aquilo que realmente lhe fará sentir segura e que venha lhe trazer prazer. Por isso, esse ambiente frequentado deve ter profissionais com essa visão: a de se preocupar e estimular todo e qualquer movimento feito pela criança.
“O professor pode observar como estão estabelecidas relações afetivas dentro do grupo e se são adequadas a permitir que seus integrantes sintam-se suficientemente seguros a compartilhar seus sucessos e fracassos, que, enfim, sintam prazer na atividade, junto ao grupo, a ponto de motivar a superar os desafios. Essa autoconfiança se constrói na medida em que acertar ou errar é visto e valorizado como parte integrante do processo de aprendizagem”. (PCN)
As crianças entre três a sete anos, não enxergam o futebol em toda a sua proporção, não vêem as regras como definitivas e os pés não são exclusivos para essa prática esportiva. Faltam a elas a totalidade da situação vivida naquele momento, falta aquilo que chamamos de “tempo de bola”, por isso ela age com a sua lógica.
“a lógica não é de modo algum estranha à vida: a lógica é somente a expressão das coordenações operatórias que são necessárias a ação” (Piaget e Inhelder, 1955: 304:).
ou seja, aquilo que não é possível é transformado
“deste modo, as partes de uma totalidade são inicialmente diferenciadas por este requisito de variação interna, que ajuda a diferenciar as partes entre si, mas não resolve o problema da função destas partes como um todo. Como partes diferentes, pode ser que tenham valores diferentes, mas não se sabe exatamente quais podem ser estes valores.”(FERREIRO)
e essa “variação interna” tem que ser considerada pelo educador
“este é um grande processo cognitivo quando se tem quatro ou cinco anos de idade, porque é o germe da combinatória". (FERREIRO)
Se não considerarmos essa situação como aprendizagem, então devemos transmitir a criança todos os fundamentos do futebol, e sua pouca idade fará com que não assimile tanta informação e ele próprio se exclui. Essa criança poderia vir a ser um grande jogador de futebol, ou de vôlei, ou basquete, ou atletismo e até mesmo valor na natação, ou em outro segmento.
“a criança compreende o que faz, mas não pode compreender o que os outros fazem". (FERREIRO)
JUSTIFICATIVA
O Projeto S.E.R. Criança trabalha com crianças na faixa etária compreendida entre três a onze de idade, estendendo atividades especificas – futebol e treinamento para goleiro – para crianças de treze a quinze anos de idade e são transformadas em categorias por ano de nascimento: de três a cinco anos; de seis e sete anos; oito e nove; dez e onze; doze e treze e quatorze e quinze, participando de atividades regulares a sua idade.
A criança quando muda de categoria, ela leva toda a bagagem de aprendizagem da categoria anterior, tanto da parte prática do esporte, quanto nas partes social e pedagógica. Consequentemente ela estará preparada para assumir as responsabilidades dos seus atos dentro e fora do campo de trabalho (no futebol e outros projetos desenvolvidos). Quando a criança entra na última etapa do projeto, quanto a sua idade, ela pode optar em continuar o não no projeto, seguindo sempre o objetivo do seu bem-estar e aquilo que pode representar para si mesmo.
Observando os dados acima podemos perceber a importância do trabalho feito nas categorias de base, ou seja, nas categorias entre três a nove anos, onde a criança 1 não tem o individual e principalmente o coletivo ainda apurados. Ela necessita de um cuidado maior, principalmente o estímulo e consciência de que só o futebol em si não dará a ela condições de suportar tudo o que envolve do seu ser, nas categorias acima.
“As práticas da cultura corporal de movimento, competitivas ou não, são contextos favoráveis de aprendizagem, pois permitem o exercício de uma ampla gama de movimentos que solicitam a atenção do aluno na tentativa de executá-los de forma satisfatória e adequada”. (PCN)
É necessário fazer com que a criança participe intensivamente das oficinas aplicadas no Projeto.
Proposta de base para o desenvolvimento do Projeto
Chamaremos de instrumento de trabalho o material utilizado nas oficinas.
Todas as oficinas necessitam de um material específico para sua realização, como bolas, cones, cordas, músicas, lousa, carteira, cadeira, entre outros.
A criança, em suas atividades das oficinas, recreativas ou não, não deverá ficar sem tocar no instrumento de trabalho por um período muito longo, isso causará desestímulo, ela cruzará o braço e certamente ficará irritada, prejudicando assim todo o trabalho individual e coletivo, pois ela poderá ser “agressiva” para tomar posse daquele instrumento de trabalho.
Para fugir desses transtornos, o monitor deverá agir com prudência e também estar preparado para evitar que isso aconteça. Suas aulas deverão ser dinâmicas, usando de artifícios para que todos possam ter contato constante com o instrumento de trabalho, se for necessário utilizar todo tipo de material necessário para atender ao propósito. Porém, para que haja sintonia deve ser passado para as crianças o objetivo da atitude tomada. Toda e qualquer alteração tem que haver um objetivo.
As aulas deverão ter variações nas atividades, utilizando diversos instrumentos, onde a criança possa sentir-se segura e participe ativamente. Esses instrumentos poderão ser bolas (bexigas), bastão, jornais, arcos etc. Trabalhar também expressão corporal com música (dança), ginásticas rítmicas e artísticas, coral, teatro etc. Instrumentos que fazem com que a criança tenha noções de lateralidade, espaço-tempo corporal. O monitor deve trabalhar as emoções, para que as crianças possam perceber que tem capacidade de desenvolvê-las.
As tarefas escolares assistidas deverão ser realizadas nos horários opostos as oficinas que a criança encaminhada participa (não pode ser punitivo).
Regularmente deverão ser ministradas palestras abordando diversos temas de fácil assimilação para as crianças. Temas como: futebol e outros esportes de influências, conduta ética/moral, respeito e cidadania, drogas, violência e outros atuais.
“Conhecer para pertencer ao grupo, conhecer para poder se relacionar e compartilhar experiências, conhecer para trazer ao grupo vivências de outros ambientes socioculturais... cooperar servindo de modelo e referência para a aprendizagem dos outros, utilizar esses conhecimentos em situações de recreação”. (PCN)
Todo esse trabalho feito com a criança (não especificando somente o futebol) abrirá grandes perspectivas, visando um futuro saudável. A criança não fará mais parte do grupo de uma Escolinha de Futebol e sim, de um “Espaço Social Educativo Recreativo Cultural” (SER).
O Projeto terá apoio dos mantenedores, dos profissionais de diversas áreas envolvidas, bem como pela sua Diretoria Executiva eleita internamente e todos os monitores, pais e comunidade e também parcerias empresariais que poderão a vir colaborar com esse projeto.
Objetivos Gerais (PCN)
O objetivo geral do projeto espera que as crianças, com participação ativa sejam capazes de:
Ø Participar de atividades corporais, estabelecendo relações equilibradas e construtivas com os outros, reconhecendo e respeitando características físicas e de desempenho de si próprio e dos outros, sem discriminar por características pessoais, físicas, sexuais, ou sociais;
Ø Repudiar qualquer espécie de violência, adotando atitudes de respeito mútuo, dignidade e solidariedade nas práticas de cultura corporal de movimento;
Ø Reconhecer-se como elemento integrante do ambiente, adotando hábitos saudáveis de higiene, alimentação e atividades corporais, relacionando-os com os efeitos sobre a própria saúde e de melhoria da saúde coletiva;
Ø Solucionar problemas de ordem corporal em diferentes contextos, regulando e dosando o esforço em um nível compatível com as possibilidades, considerando que o aperfeiçoamento e o desenvolvimento das competências corporais decorrem de perseverança e regularidade e que devem ocorrer de modo saudável e equilibrado;
Ø Conhecer a diversidade de padrões de saúde, beleza e desempenho que existem nos diferentes grupos sociais, compreendendo sua inserção dentro da cultura em que são produzidos, analisando criticamente os padrões divulgados pela mídia e evitando o consumismo e o preconceito;
Ø Conhecer, organizar e interferir no espaço de forma autônoma, bem como participar de atividades corporais de lazer em ambientes adequados, reconhecendo-as como uma necessidade do ser humano e um direito do cidadão, em busca de uma melhor qualidade de vida.
OBJETIVOS
· Ampliar as possibilidades expressivas do próprio movimento, utilizando gestos diversos e o ritmo corporal nas suas brincadeiras, danças, jogos e demais situações de interação;
· Explorar diferentes qualidades e dinâmicas do movimento, como força, velocidade, resistência e flexibilidade, conhecendo gradativamente os limites e as potencialidades do seu corpo;
· Controlar gradualmente o próprio movimento, aperfeiçoando seus recursos de deslocamento e ajustando suas habilidades motoras para a utilização em jogos, brincadeiras, danças e demais situações;
· Apropriar-se progressivamente da imagem global de seu corpo, conhecendo e identificando seus segmentos e elementos e desenvolvimento cada vez mais uma atitude de interesse e cuidado com o próprio corpo;
· Permitir a integração da criança nos meios esportivos, partindo daí sua integração na sociedade como um todo;
· Promover a valorização e a auto-estima das crianças.
Estratégias
O S.E.R. atenderá crianças com a faixa etária correspondente entre três a nove anos completos, estendendo de forma mais sintetizada para crianças com a faixa etária correspondente entre dez e onze anos completo2, e mais complexos para as demais idades atendidas pelo projeto.
Para que as crianças não se sintam excluídas das que têm mais habilidades, elas participarão no seu todo (sem diferenciação ou exclusão) de das várias oficinas oferecidas.
Os monitores terão treinamentos, para trabalhar com essas crianças, semestralmente, ministrados por Pedagogos, Psicólogos e Professores de Educação Física.
As oficinas ludomotores (dança, coral e outras atividades recreativas) e tarefa escolar assistida serão realizadas em salas adequadas e/ou espaço total do recinto onde o projeto estará sendo desenvolvido. As crianças estarão o tempo todo em atividades.
Buscar parcerias para dar apoio às crianças (lanches, refrigerantes ou suco, uniformes para os jogos) é parte integrante do projeto.
Cada criança deverá ter seu uniforme de acordo com a oficina que participar e se apresentar com o mesmo em todos os eventos.
Os materiais3 usados nas atividades recreativas (bexigas, bastão, colchonetes, cones, aros, sons etc.) pertencerão ao S.E.R. Criança. Para reforço escolar: cadernos, lápis, borracha e todo apetrecho para a realização do mesmo será de responsabilidade da criança.
Todas as atividades serão realizadas durante a semana, no período noturno e, toda e qualquer alteração que seja necessária, comunicaremos a todos os envolvidos previamente.
Autor: Sérgio Prado
Referências Bibliográficas
COSTA, Caio Martins; SILVA, Marcelo Barros da - P.C.N. – Ministério da Educação e Desportos, Secretaria de Educação Fundamental.
FERREIRO, Emília. Alfabetização em Processo. Cortez Editora, 1985. p. 17-18-20.
PIAGET, Jean & INHELDER. Da lógica da criança à lógica do adolescente. São Paulo, Pioneira, 1976.
1 Considera-se criança, nesse projeto, todo individuo com a faixa etária correspondente entre 3 a 9 anos completos.
2Categoria de 10 e 11 anos disputa torneios oficiais em preparação para as categorias superiores. São crianças com bases e estruturas para participar também de competições.
3 Esses materiais são de aquisição dos mantenedores do projeto.
(ESPAÇO SOCIAL, EDUCATIVO, RECREATIVO E CULTURAL – SER)
INTRODUÇÃO
Durante todo tempo de trabalho e convívio no meio futebolístico, nas categorias menores, muitas observações foram feitas, que não condizem com a realidade da aprendizagem infantil.
Muitas das chamadas “escolinhas de futebol” vêm ensinando as crianças a competirem, formando atletas do meio, precocemente, transformando-as em produto vulnerável, oferecendo a elas um futuro de incertezas e fazendo concretizar a frase: “quem não tem competência, (em se tratando de futebol infantil) não se estabelece”, além de, algumas, cobrarem mensalmente um valor, em reais, para efetivar sua participação.
A criança que não apresenta condições para se tornar competitiva, torna-se descartável, valorizando assim, aqueles que têm excelente coordenação motora e habilidades consideráveis a permanecerem num cenário de exclusão.
“A sistematização dos objetivos, conteúdos, processo de ensino e aprendizagem e avaliação têm como meta a inclusão da criança na cultura corporal de movimento, por meio da participação e reflexão concretas e efetivas. Busca-se reverter o quadro histórico da área de seleção entre indivíduos aptos e inaptos para práticas corporais, resultante da valorização exacerbada do desempenho e da eficiência.” (PCN)
É lógico que não faz das crianças integradas culpadas e, sim vítimas de pessoas que buscam status, usando das habilidades desses “pequenos” que gostam de praticar esse esporte.
Diante disso vem nossa indignação, porque trabalhamos com crianças a partir de três anos de idade, procurando conhecê-las pedagogicamente e ampliando seus conhecimentos, respeitando seus limites e suas habilidades, bem como seu conhecimento e estrutura ludomotor; a participação da criança que busca aprender, socializar e acima de tudo integrar-se em atividades sadias e que as fazem compreender e sentir suas necessidades esportivas e cognitivas para ampliar seu mundo, seu espaço e suas habilidades.
A criança deve participar de todas as atividades, esportivas (futebol) ou não, e descobrir com sua participação aquilo que realmente lhe fará sentir segura e que venha lhe trazer prazer. Por isso, esse ambiente frequentado deve ter profissionais com essa visão: a de se preocupar e estimular todo e qualquer movimento feito pela criança.
“O professor pode observar como estão estabelecidas relações afetivas dentro do grupo e se são adequadas a permitir que seus integrantes sintam-se suficientemente seguros a compartilhar seus sucessos e fracassos, que, enfim, sintam prazer na atividade, junto ao grupo, a ponto de motivar a superar os desafios. Essa autoconfiança se constrói na medida em que acertar ou errar é visto e valorizado como parte integrante do processo de aprendizagem”. (PCN)
As crianças entre três a sete anos, não enxergam o futebol em toda a sua proporção, não vêem as regras como definitivas e os pés não são exclusivos para essa prática esportiva. Faltam a elas a totalidade da situação vivida naquele momento, falta aquilo que chamamos de “tempo de bola”, por isso ela age com a sua lógica.
“a lógica não é de modo algum estranha à vida: a lógica é somente a expressão das coordenações operatórias que são necessárias a ação” (Piaget e Inhelder, 1955: 304:).
ou seja, aquilo que não é possível é transformado
“deste modo, as partes de uma totalidade são inicialmente diferenciadas por este requisito de variação interna, que ajuda a diferenciar as partes entre si, mas não resolve o problema da função destas partes como um todo. Como partes diferentes, pode ser que tenham valores diferentes, mas não se sabe exatamente quais podem ser estes valores.”(FERREIRO)
e essa “variação interna” tem que ser considerada pelo educador
“este é um grande processo cognitivo quando se tem quatro ou cinco anos de idade, porque é o germe da combinatória". (FERREIRO)
Se não considerarmos essa situação como aprendizagem, então devemos transmitir a criança todos os fundamentos do futebol, e sua pouca idade fará com que não assimile tanta informação e ele próprio se exclui. Essa criança poderia vir a ser um grande jogador de futebol, ou de vôlei, ou basquete, ou atletismo e até mesmo valor na natação, ou em outro segmento.
“a criança compreende o que faz, mas não pode compreender o que os outros fazem". (FERREIRO)
JUSTIFICATIVA
O Projeto S.E.R. Criança trabalha com crianças na faixa etária compreendida entre três a onze de idade, estendendo atividades especificas – futebol e treinamento para goleiro – para crianças de treze a quinze anos de idade e são transformadas em categorias por ano de nascimento: de três a cinco anos; de seis e sete anos; oito e nove; dez e onze; doze e treze e quatorze e quinze, participando de atividades regulares a sua idade.
A criança quando muda de categoria, ela leva toda a bagagem de aprendizagem da categoria anterior, tanto da parte prática do esporte, quanto nas partes social e pedagógica. Consequentemente ela estará preparada para assumir as responsabilidades dos seus atos dentro e fora do campo de trabalho (no futebol e outros projetos desenvolvidos). Quando a criança entra na última etapa do projeto, quanto a sua idade, ela pode optar em continuar o não no projeto, seguindo sempre o objetivo do seu bem-estar e aquilo que pode representar para si mesmo.
Observando os dados acima podemos perceber a importância do trabalho feito nas categorias de base, ou seja, nas categorias entre três a nove anos, onde a criança 1 não tem o individual e principalmente o coletivo ainda apurados. Ela necessita de um cuidado maior, principalmente o estímulo e consciência de que só o futebol em si não dará a ela condições de suportar tudo o que envolve do seu ser, nas categorias acima.
“As práticas da cultura corporal de movimento, competitivas ou não, são contextos favoráveis de aprendizagem, pois permitem o exercício de uma ampla gama de movimentos que solicitam a atenção do aluno na tentativa de executá-los de forma satisfatória e adequada”. (PCN)
É necessário fazer com que a criança participe intensivamente das oficinas aplicadas no Projeto.
Proposta de base para o desenvolvimento do Projeto
Chamaremos de instrumento de trabalho o material utilizado nas oficinas.
Todas as oficinas necessitam de um material específico para sua realização, como bolas, cones, cordas, músicas, lousa, carteira, cadeira, entre outros.
A criança, em suas atividades das oficinas, recreativas ou não, não deverá ficar sem tocar no instrumento de trabalho por um período muito longo, isso causará desestímulo, ela cruzará o braço e certamente ficará irritada, prejudicando assim todo o trabalho individual e coletivo, pois ela poderá ser “agressiva” para tomar posse daquele instrumento de trabalho.
Para fugir desses transtornos, o monitor deverá agir com prudência e também estar preparado para evitar que isso aconteça. Suas aulas deverão ser dinâmicas, usando de artifícios para que todos possam ter contato constante com o instrumento de trabalho, se for necessário utilizar todo tipo de material necessário para atender ao propósito. Porém, para que haja sintonia deve ser passado para as crianças o objetivo da atitude tomada. Toda e qualquer alteração tem que haver um objetivo.
As aulas deverão ter variações nas atividades, utilizando diversos instrumentos, onde a criança possa sentir-se segura e participe ativamente. Esses instrumentos poderão ser bolas (bexigas), bastão, jornais, arcos etc. Trabalhar também expressão corporal com música (dança), ginásticas rítmicas e artísticas, coral, teatro etc. Instrumentos que fazem com que a criança tenha noções de lateralidade, espaço-tempo corporal. O monitor deve trabalhar as emoções, para que as crianças possam perceber que tem capacidade de desenvolvê-las.
As tarefas escolares assistidas deverão ser realizadas nos horários opostos as oficinas que a criança encaminhada participa (não pode ser punitivo).
Regularmente deverão ser ministradas palestras abordando diversos temas de fácil assimilação para as crianças. Temas como: futebol e outros esportes de influências, conduta ética/moral, respeito e cidadania, drogas, violência e outros atuais.
“Conhecer para pertencer ao grupo, conhecer para poder se relacionar e compartilhar experiências, conhecer para trazer ao grupo vivências de outros ambientes socioculturais... cooperar servindo de modelo e referência para a aprendizagem dos outros, utilizar esses conhecimentos em situações de recreação”. (PCN)
Todo esse trabalho feito com a criança (não especificando somente o futebol) abrirá grandes perspectivas, visando um futuro saudável. A criança não fará mais parte do grupo de uma Escolinha de Futebol e sim, de um “Espaço Social Educativo Recreativo Cultural” (SER).
O Projeto terá apoio dos mantenedores, dos profissionais de diversas áreas envolvidas, bem como pela sua Diretoria Executiva eleita internamente e todos os monitores, pais e comunidade e também parcerias empresariais que poderão a vir colaborar com esse projeto.
Objetivos Gerais (PCN)
O objetivo geral do projeto espera que as crianças, com participação ativa sejam capazes de:
Ø Participar de atividades corporais, estabelecendo relações equilibradas e construtivas com os outros, reconhecendo e respeitando características físicas e de desempenho de si próprio e dos outros, sem discriminar por características pessoais, físicas, sexuais, ou sociais;
Ø Repudiar qualquer espécie de violência, adotando atitudes de respeito mútuo, dignidade e solidariedade nas práticas de cultura corporal de movimento;
Ø Reconhecer-se como elemento integrante do ambiente, adotando hábitos saudáveis de higiene, alimentação e atividades corporais, relacionando-os com os efeitos sobre a própria saúde e de melhoria da saúde coletiva;
Ø Solucionar problemas de ordem corporal em diferentes contextos, regulando e dosando o esforço em um nível compatível com as possibilidades, considerando que o aperfeiçoamento e o desenvolvimento das competências corporais decorrem de perseverança e regularidade e que devem ocorrer de modo saudável e equilibrado;
Ø Conhecer a diversidade de padrões de saúde, beleza e desempenho que existem nos diferentes grupos sociais, compreendendo sua inserção dentro da cultura em que são produzidos, analisando criticamente os padrões divulgados pela mídia e evitando o consumismo e o preconceito;
Ø Conhecer, organizar e interferir no espaço de forma autônoma, bem como participar de atividades corporais de lazer em ambientes adequados, reconhecendo-as como uma necessidade do ser humano e um direito do cidadão, em busca de uma melhor qualidade de vida.
OBJETIVOS
· Ampliar as possibilidades expressivas do próprio movimento, utilizando gestos diversos e o ritmo corporal nas suas brincadeiras, danças, jogos e demais situações de interação;
· Explorar diferentes qualidades e dinâmicas do movimento, como força, velocidade, resistência e flexibilidade, conhecendo gradativamente os limites e as potencialidades do seu corpo;
· Controlar gradualmente o próprio movimento, aperfeiçoando seus recursos de deslocamento e ajustando suas habilidades motoras para a utilização em jogos, brincadeiras, danças e demais situações;
· Apropriar-se progressivamente da imagem global de seu corpo, conhecendo e identificando seus segmentos e elementos e desenvolvimento cada vez mais uma atitude de interesse e cuidado com o próprio corpo;
· Permitir a integração da criança nos meios esportivos, partindo daí sua integração na sociedade como um todo;
· Promover a valorização e a auto-estima das crianças.
Estratégias
O S.E.R. atenderá crianças com a faixa etária correspondente entre três a nove anos completos, estendendo de forma mais sintetizada para crianças com a faixa etária correspondente entre dez e onze anos completo2, e mais complexos para as demais idades atendidas pelo projeto.
Para que as crianças não se sintam excluídas das que têm mais habilidades, elas participarão no seu todo (sem diferenciação ou exclusão) de das várias oficinas oferecidas.
Os monitores terão treinamentos, para trabalhar com essas crianças, semestralmente, ministrados por Pedagogos, Psicólogos e Professores de Educação Física.
As oficinas ludomotores (dança, coral e outras atividades recreativas) e tarefa escolar assistida serão realizadas em salas adequadas e/ou espaço total do recinto onde o projeto estará sendo desenvolvido. As crianças estarão o tempo todo em atividades.
Buscar parcerias para dar apoio às crianças (lanches, refrigerantes ou suco, uniformes para os jogos) é parte integrante do projeto.
Cada criança deverá ter seu uniforme de acordo com a oficina que participar e se apresentar com o mesmo em todos os eventos.
Os materiais3 usados nas atividades recreativas (bexigas, bastão, colchonetes, cones, aros, sons etc.) pertencerão ao S.E.R. Criança. Para reforço escolar: cadernos, lápis, borracha e todo apetrecho para a realização do mesmo será de responsabilidade da criança.
Todas as atividades serão realizadas durante a semana, no período noturno e, toda e qualquer alteração que seja necessária, comunicaremos a todos os envolvidos previamente.
Autor: Sérgio Prado
Referências Bibliográficas
COSTA, Caio Martins; SILVA, Marcelo Barros da - P.C.N. – Ministério da Educação e Desportos, Secretaria de Educação Fundamental.
FERREIRO, Emília. Alfabetização em Processo. Cortez Editora, 1985. p. 17-18-20.
PIAGET, Jean & INHELDER. Da lógica da criança à lógica do adolescente. São Paulo, Pioneira, 1976.
1 Considera-se criança, nesse projeto, todo individuo com a faixa etária correspondente entre 3 a 9 anos completos.
2Categoria de 10 e 11 anos disputa torneios oficiais em preparação para as categorias superiores. São crianças com bases e estruturas para participar também de competições.
3 Esses materiais são de aquisição dos mantenedores do projeto.
